segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A deusa Ixchel

A deusa Ixchel foi adorada pelos Maias da península do Yucatã, em Cozumel, sua ilha sagrada


DEUSA IXCHEL
"Eu faço fios de energia
na teia da criação
Onde nada existia antes
do vazio
para o mundo
eu fio criando a vida
a partir da minha mente
a partir do meu corpo
a partir da minha consciência
do que precisa existir
Agora existe algo novo
e toda a vida é alimentada."


Ixchel é a deusa Lua adorada pelos maias da península do Yucatán.
A libélula é um de seus animais. Segundo a mitologia, quando ela quase foi morta pelo seu avô por tornar-se amante do Sol, a líbelula cantou sobre ela até que se recuperasse.
Seu lado suave é o de deusa do arco-íris, estando também relacionada às mulheres grávidas, à fertilidade e aos nascimentos. Por isso há imagens onde ela segura uma lebre, pois além deste animal ter relação com a fertilidade em várias culturas, diz-se que ao olhar à lua cheia podemos perceber uma marca em forma de lebre.
Também aparece relacionada à serpente que aparece sempre em sua cabeça nas estatuetas e desenhos meso-americanos. No seu lado sombra, é destruidora, cruel, e rege manifestações destrutivas da natureza como inundações, por exemplo.
É a deusa relacionada à criatividade, à tecelagem, à saúde, à medicina.
Sua influência é notada nas chuvas, nas marés, no tempo de lua da mulher, nas fases da lua, em nossa intuição, em nossa luz e sombra, na vida e na morte.


O nativo americano possui o dom da intuição, da razão, do livre arbítrio e da vontade. Capacidades que o tornaram observador da natureza, que passou a ser seu guia e mestre. Acabou por reconhecer que ele próprio era parte dessa natureza e que todas as coisas possuem alma, porque tem forma. Assim, os maias definiram a alma como algo material,  não confundindo alma com espírito, como no nosso pensamento atual das ordens religiosas espiritualizadas. Consideravam o espírito como energia solar e a alma como uma forma de manifestação do espírito, espírito este que se encontra em tudo que nos rodeia.
A religião dos maias,  baseou-se em todos os "segredos coletado" da Mãe-natureza, deste plano terrestre em união com as leis cósmicas. Com este material, os iniciados maias formularam sua Religião-Ciência.
O povo maia possuíam uma grande religiosidade, apresentando um complexo e dominador panteão, que nos revela indivíduos de atividades essencialmente agrárias. Suas divindades apresentavam um caráter ambivalente, que podia ter um aspecto positivo, tanto quanto negativo conforme sua força e sua intencidade. Como por exemplo, a chuva tão necessária para a vida e que faz crescer as plantas, também podem afogá-las, por excesso e essa dualidade se identifica com um casal divino ou pode ainda manifestar-se nos perfis contraditórios de uma mesma divindade, como o bem e o mau que abita dentro dos seres desencadeados conforme seu fico e direcionamento.
Na concepção maia, uma divindade pode revestir-se com um caráter benéfico e depois maléfico, passando da juventude à velhice . Constata-se, que não existe impermeabilidade entre os universos celeste, terrestres e subterrâneo e que uma divindade pode encontrar-se nestes mundos diversos e ter ciclos diferentes.
 Podemos reagrupar as divindades maias em 3 grandes famílias: Celeste, Terrestre e Subterrânea. Para o céu existiam 13 divindades maiores, 7 para a terra e 9 para o mundo subterrâneo. Diferentes dos mexicanos (mexicas), não prestavam culto ao deus do fogo. Estranhamente, seu grande deus, Hanab Ku, criador do mundo e pai de todas as divindades, ocupava um lugar medíocre no panteão maia.
Entre as divindades celestes, o Sol (Kinich Ahau, deus solar) e a Lua (Ixchel) detinham um lugar preponderante e todas as lendas estavam associadas a este casal. Antes de serem transferidos para o céu, os dois viviam como cônjuges sobre a terra, onde a senhora Lua não era uma esposa fiel. No embate de uma discussão o seu marido Sol lhe retirou um pouco de seu brilho.
Podemos entender com clareza porque os povos antigos escolhiam o Sol como deus dos homens e a Lua como das mulheres, pois suas características parecem corresponder ao masculino e feminino, e assim, se justifica a escolha destes símbolos. A história da maioria das religiões é a história do poder de tais símbolos, e toda a sua simbologia é representada pela dualidade de feminino e masculino ou bem e mau.
As artes da música, da cerâmica e da caça foram colocados sob a proteção do Sol (veia masculina),assim como a gravidez, o parto, as colheitas e a tecelagem eram da alçada da Lua (veia feminina ou se explica por serem as atividades a elas atribuidas em grande parte das sociedades antigas). Paradoxalmente, vemos no códice esta figurada em suas manifestações hostis e negativas e até destrutivas. Ixchel é entre outras, a deusa das inundações e aparece também, como uma velha colérica, cercada de símbolos fúnebres, uma serpente enrolada sobre o seu crânio, ossadas esparsas e fixas sobre uma saia e garras de rapina à guisa de unhas.

 O nascimento, a morte...., dois traços ambivalentes, mas que sempre fizeram parte do pensamento indígena, tomado pela figura feminina mutando na figura da mulher todo o mistério, que está envolvido a ela com seu poder de gerar a  vida e encantar tudo a sua volta.

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