DEUSA IXCHEL
"Eu faço fios de energia
na teia da criação
Onde nada existia antes
do vazio
para o mundo
eu fio criando a vida
a partir da minha mente
a partir do meu corpo
a partir da minha consciência
do que precisa existir
Agora existe algo novo
e toda a vida é alimentada."
"Eu faço fios de energia
na teia da criação
Onde nada existia antes
do vazio
para o mundo
eu fio criando a vida
a partir da minha mente
a partir do meu corpo
a partir da minha consciência
do que precisa existir
Agora existe algo novo
e toda a vida é alimentada."
A libélula é um de seus animais. Segundo a mitologia, quando ela quase foi morta pelo seu avô por tornar-se amante do Sol, a líbelula cantou sobre ela até que se recuperasse.
Seu lado suave é o de deusa do arco-íris, estando também relacionada às mulheres grávidas, à fertilidade e aos nascimentos. Por isso há imagens onde ela segura uma lebre, pois além deste animal ter relação com a fertilidade em várias culturas, diz-se que ao olhar à lua cheia podemos perceber uma marca em forma de lebre.
Também aparece relacionada à serpente que aparece sempre em sua cabeça nas estatuetas e desenhos meso-americanos. No seu lado sombra, é destruidora, cruel, e rege manifestações destrutivas da natureza como inundações, por exemplo.
É a deusa relacionada à criatividade, à tecelagem, à saúde, à medicina.
Sua influência é notada nas chuvas, nas marés, no tempo de lua da mulher, nas fases da lua, em nossa intuição, em nossa luz e sombra, na vida e na morte.
O nativo americano possui o dom da intuição, da razão, do livre arbítrio e da vontade. Capacidades que o tornaram observador da natureza, que passou a ser seu guia e mestre. Acabou por reconhecer que ele próprio era parte dessa natureza e que todas as coisas possuem alma, porque tem forma. Assim, os maias definiram a alma como algo material, não confundindo alma com espírito, como no nosso pensamento atual das ordens religiosas espiritualizadas. Consideravam o espírito como energia solar e a alma como uma forma de manifestação do espírito, espírito este que se encontra em tudo que nos rodeia.
A religião dos maias, baseou-se em todos os "segredos coletado" da Mãe-natureza, deste plano terrestre em união com as leis cósmicas. Com este material, os iniciados maias formularam sua Religião-Ciência.
O povo maia possuíam uma grande religiosidade, apresentando um complexo e dominador panteão, que nos revela indivíduos de atividades essencialmente agrárias. Suas divindades apresentavam um caráter ambivalente, que podia ter um aspecto positivo, tanto quanto negativo conforme sua força e sua intencidade. Como por exemplo, a chuva tão necessária para a vida e que faz crescer as plantas, também podem afogá-las, por excesso e essa dualidade se identifica com um casal divino ou pode ainda manifestar-se nos perfis contraditórios de uma mesma divindade, como o bem e o mau que abita dentro dos seres desencadeados conforme seu fico e direcionamento.
Na concepção maia, uma divindade pode revestir-se com um caráter benéfico e depois maléfico, passando da juventude à velhice . Constata-se, que não existe impermeabilidade entre os universos celeste, terrestres e subterrâneo e que uma divindade pode encontrar-se nestes mundos diversos e ter ciclos diferentes.
Podemos reagrupar as divindades maias em 3 grandes famílias: Celeste, Terrestre e Subterrânea. Para o céu existiam 13 divindades maiores, 7 para a terra e 9 para o mundo subterrâneo. Diferentes dos mexicanos (mexicas), não prestavam culto ao deus do fogo. Estranhamente, seu grande deus, Hanab Ku, criador do mundo e pai de todas as divindades, ocupava um lugar medíocre no panteão maia.
Entre as divindades celestes, o Sol (Kinich Ahau, deus solar) e a Lua (Ixchel) detinham um lugar preponderante e todas as lendas estavam associadas a este casal. Antes de serem transferidos para o céu, os dois viviam como cônjuges sobre a terra, onde a senhora Lua não era uma esposa fiel. No embate de uma discussão o seu marido Sol lhe retirou um pouco de seu brilho.
Podemos entender com clareza porque os povos antigos escolhiam o Sol como deus dos homens e a Lua como das mulheres, pois suas características parecem corresponder ao masculino e feminino, e assim, se justifica a escolha destes símbolos. A história da maioria das religiões é a história do poder de tais símbolos, e toda a sua simbologia é representada pela dualidade de feminino e masculino ou bem e mau.
As artes da música, da cerâmica e da caça foram colocados sob a proteção do Sol (veia masculina),assim como a gravidez, o parto, as colheitas e a tecelagem eram da alçada da Lua (veia feminina ou se explica por serem as atividades a elas atribuidas em grande parte das sociedades antigas). Paradoxalmente, vemos no códice esta figurada em suas manifestações hostis e negativas e até destrutivas. Ixchel é entre outras, a deusa das inundações e aparece também, como uma velha colérica, cercada de símbolos fúnebres, uma serpente enrolada sobre o seu crânio, ossadas esparsas e fixas sobre uma saia e garras de rapina à guisa de unhas.
O nascimento, a morte...., dois traços ambivalentes, mas que sempre fizeram parte do pensamento indígena, tomado pela figura feminina mutando na figura da mulher todo o mistério, que está envolvido a ela com seu poder de gerar a vida e encantar tudo a sua volta.

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